06/01/2017

O dia aflito

aquele que esbraceja
é o dia náufrago
que procura salvação do bater do tempo
pedindo socorro na rebentação do caos.

nestas horas 
não há poema que acuda
o dia muito
cheio como maré.

do dia morto
engolido pelas ondas
dá à costa o corpo
falecido. 

27/12/2016

Distância

A distância que separa o tempo
das memórias que fazem os dias
dos intervalos do desejo
de um espaço dilatado
das imagens claras
das realidades perdidas
do tempo que nos separa


02/05/2014

STUPID OR NOT KIND OF MANIFESTO #01

Look good.
Stop worrying just on looking good.
Start being good.
Being intelligent makes you beautiful.
Being intelligent makes you sadder.
Don’t joke on bodybuilders in public.
Fast food makes you die slowly.
If you live like there’s no tomorrow there will probably be none.
Don’t let your wrinkles spoil your youth.
Trust in strangers until otherwise.
Don’t trust in strangers with knifes.
Know more about yourself than you know about socialites.
Start.
Stop.
Avoid mistakes.
Learn from errors.
Clichés exist for a reason.
Writing a manifesto makes you feel powerful.
It isn’t always the butler.
Don’t kill the butterflies.
Kill the butter.
Fly.

Stupid or not Francisco Salgado Ré
02 of May, 2014

23/12/2013

cor-de-banana

Se o cor-de-laranja é cor-de-laranja e se o cor-de-rosa é cor-de-rosa, porque é que o amarelo não é cor-de-banana?...

20/09/2013

TEATRO DE SOMBRAS


Há uma outra cidade revelada pela noite e descoberta por corpos ausentes e silêncios quebrados. As ruas são o cenário de encenações turvas e o chão é palco pisado pelos passos cambaleantes de actores que levam a cena peças efémeras de um só acto.
A noite encerra ciclicamente um ritual pagão de personagens anónimas que se mascaram com vestes brilhantes e se pintam com cores que disfarçam os corpos. As personagens nocturnas têm medo do escuro e fogem por isso da sombra que as oculta. Não sabem contudo que são transparentes à luz.
No fim da noite as marionetas deste teatro de sombras vão repousar inanimadas nas soleiras ou desaparecer no escuro levadas por cordéis finos presos às estrelas.

18/09/2013

FALSO ALARME

Certa vez fui atendido por um médico espanhol no hospital de St. António.
Não me deu croissants... E eu bem que pedi (para ser operado tinha de estar em jejum).
Afinal nao foram precisos os croissants. Falso alarme. Não era apendicite.
Fui comer uma francesinha depois.

10/09/2013

MEMÓRIA DAS COISAS


Disse que eram apenas coisas. Na altura quis acreditar que sim. Um pouco sem pensar. Como quem toma uma aspirina.
Hoje sei que as coisas são apenas coisas até deixarem de o ser. Até serem envolvidas em nostalgia e trazidas pelas memórias. Os objectos são uma coisa apenas até determinado momento. São apenas objectos quando são apartidários de qualquer acontecimento relevante. Quando a sua existência simples de coisas inócuas não se cruza com os momentos. Assim, a determinado momento, tornam-se parte do corpo, carregados de historias resultantes da partilha dos dias.
A convivência com os objectos faz-se muitas vezes inconscientemente, até que a certo ponto eles são o veículo que nos desperta para memórias particulares e nos fazem lembrar momentos especiais e detalhes que, no seu momento, poderão até ter sido considerados irrelevantes.
Que fique claro que esta não é uma capacidade dos objectos. Eles não são assim por vontade própria. São as pessoas que tornam os objectos coisas do coração. É a nostalgia, criação do Homem, que se apropria das coisas e as transforma. Tal como acontece com os lugares, que são apenas sítios até serem vividos e se tornarem espaços emocionais dentro de nós. Estranha capacidade dos Homens em conseguir levar lugares dentro do corpo. O Homem consegue imaterializar um lugar, que sendo o mesmo lugar, se transforma em coisa imaterial sem forma física, com uma dimensão maior do que apenas a sua condição de sítio ou coisa, que pode ser levada no corpo e utilizada aquando da necessidade de reutilização das memórias.
Não são todos os que acabam por transcender a sua condição de coisa inanimada, são apenas alguns aqueles que se intrometem nas recordações e que acabam por ganhar espaço próprio. O objectos são os melhores veículos da memória e isso torna-os, a esses privilegiados, mais do que apenas coisas. Esta consideração por determinados objectos não é uma vontade fútil de posse, não é luxo, nao é sequer premeditada. Acontece sem as pessoas darem por isso. Os objectos entranham-se debaixo da pele, naqueles sítios indeterminados no mapa do corpo, como ilhas que não sabemos sequer existir, até ao momento em que são descobertos, mais tarde, tantas vezes tarde de mais, e trazidos inadvertidamente para a realização consciente das memórias que representam.
Os objectos são o que são até deixarem de o ser. Outras vezes, o tempo, eterno inimigo das memórias, traz o esquecimento e os objectos voltam a ser aquilo que eram. Mais tarde ou mais cedo, quando não houver ninguém para se lembrar das memórias, os objectos ficarão desprovidos de nostalgia, e serão despromovidos à sua condição inicial de ser. Ser apenas coisas.

05/07/2013

INSATISFAÇÃO

Se está frio é porque está frio. Se está calor é porque está calor. Se é Verão é porque é Verão. Se é Inverno é porque é Inverno. A Primavera é porque não houve. O Outono é porque não.
Se já não é o que era é porque antigamente é que era bom. Se antigamente era mau agora não é suficiente. Se está sozinho é porque está sozinho. Se está gente é gente a mais. Se o governo é de direita é porque é capitalista. Se o governo é de esquerda é porque é radical. Se não há dinheiro é porque é da crise. Se há dinheiro é porque não. Se não há trabalho é porque não há. Se há é porque é uma canseira.
Se há rojões é porque quer bifanas. Se há bifanas é porque estão insossas . Se se vai andando é porque assim-assim. E a família é porque a sogra e os filhos e os domingos e tal.

O tempo é o maior democrata. O tempo tem muita paciência. Há-de chegar o tempo…

09/04/2013

UM BURAQUINHO NO MARVÃO

Hoje, algures num terreno no Marvão, aconteceu um fenómeno geológico onde se abriu uma cratera com 30, mais de 50 ou 100 metros de profundidade, conforme os telejornais que se escolha ver. De qualquer forma, não há dúvidas que é um grande buraco.
Um geólogo veio tentar explicar que é por causa de água nos solos. Eu cá acho que não. E tenho várias hipóteses. Não me ocorreu no entanto que fosse obra de extra terrestres, como o geólogo também quis fazer questão de referir. Acho estranho que tenha sentido necessidade de explicar que não foi um ser de outro planeta que após ter viajado através de galáxias à velocidade da luz tenha decidido cavar um buraco com 30, 50 ou 100 metros de profundidade a meio da noite no meio do Marvão.
Eu cá estou indeciso entre várias hipóteses. No entanto sou levado a suspeitar que em todas a economia foi, de uma forma ou de outra, a grande responsável.

Parece-me que é o próprio solo nacional a manifestar-se e a concretizar fisicamente o buraco em que estamos metidos. Com jeitinho a coisa vai aumentar e alastrar-se até desaparecermos totalmente e definitivamente do mapa. Não sei bem porque é que o buraco começa no Marvão, mas isso é coisa para o Ministério Público investigar. Ou se é obra da Troika, da Alemanha, da Espanha, dos Estados Unidos ou de outros maus neste filme, que foram de fininho no meio do breu, abrir-nos o buraco.
Na continuação desta, existe uma outra hipótese, que implica uma auto-determinação do buraco, no sentido daquele pedaço de terreno ter mesmo decidido emigrar. É bem possível que o solo se tenha fartado e decidido de livre vontade desistir de fazer parte do país, como de resto muito boa gente tem feito. O que dá uma certa pena, porque a ver pelas fotografias era um bom pedaço de terra, cheio de capacidades, que se vai apresentar noutro país com melhores condições e dar árvores de fruto por lá. Já não chegava estarmos a ficar sem médicos, engenheiros, arquitectos ou professores, como agora já estamos a ficar sem terra para pisar.
Numa perspectiva macro-económica, que certamente a Troika partilha, até nem parece mal estarmos a pagar com pedaços de país, já que não nos resta muito mais.

Outra possibilidade, economicamente muito mais positiva, é a de que este seja um portal. Um portal que liga directamente à China, aos Emirados Árabes Unidos, a Angola ou à Argélia, por forma a promover uma via directa de exportações. Era simpático, pois assim poupava-se imenso em transportes e em portes de envio, bastava chegar ao buraco, atirar a mercadoria lá para baixo e fazer figas, que é o que já se faz agora, mas com portes de envio. No entanto os portugueses ainda não são lestos nesta coisa da internacionalização e empreendedorismo, como comprovado pelos receios do proprietário do terreno que diz, passo a citar "é uma situação chata. Só de pensar que há poucos dias tinha aqui animais e que podiam ter abalado...". A meu ver é falta de visão, incapacidade de gestão e de aproveitamento de oportunidades na adversidade. O senhor podia estar agora a atirar porcos vivos para o buraco e a ganhar muito dinheiro se calhasse de ir ter a um bom mercado, que não judeu.
Resta saber é se há um buraco do outro lado, mas pelo pouco que conheço da economia dos outros, os buracos deles não são os mesmos que os nossos. Aliás, até são, porque nós humanos temos todos os mesmos, nós é que baixamos as calcinhas e expusemo-nos demasiado.

Posto isto acho que, a ser um portal, ele provavelmente permite exportar os portugueses para outros formatos, como jpg, dando uma hipótese vaga de tentar sair bem na fotografia, se for trabalhada em pós-produção - leia-se pós-memorando - em photoshop. Ou teletransportar os portugueses num vortex sideral para outra galáxia. Ou só de férias para o Algarve. Podiam chamar a esta de Nova Ligação Marvão-Faro, esperando que não se faça uma parceria público-privada para concessão do buraco. 






           

08/03/2013

EFEMÉRIDES

Algumas notas sobre a actualidade do inicio deste mês de Março do ano de dois mil e treze depois de Cristo. A primeira vai para o falecimento do carismático ditador Hugo Chavez, que ditou os destinos da Venezuela mais anos do que muita gente vive numa vida. Uma espécie de brutamontes estilo Alberto João Jardim lá do sitio, mas com muito mais sotaque. No entanto, quem ele era, o que fez ou deixou de fazer não vem para o caso. O homem morreu com cancro, que é coisa com que não se brinca. No entanto, os seus leais seguidores acham que o eterno inimigo, vulgo Estados Unidos da outra América que não a do Sul, finalmente conseguiram, fruto de uma conspiração prolongada, matar o homem. Longe vão os tempos de cartas envenenadas, cianetos, espias em lingerie e charutos explosivos. Agora também se manda matar com doenças potencialmente fatais. Portanto, fica registado que ele não morreu com cancro. Ele foi assassinado com cancro.

Outro brutamontes é um senhor chamado antónio borges. Escrevo o nome dele em minúsculas para o distinguir dos demais Antónios e Borges que merecem maiúscula no nome e a quem não pretendo faltar ao respeito. Especificamente este não mo merece. Aliás, este merecia outro nome, mas a isso já lá vou mais à frente no texto. O homem é uma espécie de alienígena obscuro. Hoje disse que se deveria baixar um pouquinho mais os salários dos portugueses. Não vou perder-me nas justificações do senhor para ter esta opinião, nem vou destacar os números do que se sabe que ganhou ao longo da vida nem do que ganha agora, de forma pouco clara, pouco lícita e pouco moral. Não me apetece explicar o óbvio da baixaria que é este homem, portanto vou só limitar-me a insulta-lo um bocadinho. Este senhor é uma abóbora a conduzir um Mercedes. Ele está para a realidade como um texugo está para o continente Antárctico. Se dessem capacidade de expressão a um ornitorrinco e lhe perguntassem, assim de surpresa, coisas sobre economia, ele responderia de forma muito semelhante a antónio borges, mas um pouco melhor. Pronto, por hoje é tudo sobre esta besta.
Ah, perdão, quero falar ainda de uma outra coisa: Itália. Pais lindo que foi a votos. País do Berlusconi que, pasme-se, se candidatou outra vez e levou a melhor, a par de um palhaço. Assim mesmo, literalmente comediante de profissão. Em terceiro terá ficado o actual primeiro-ministro, um tipo que andou a tentar tirar de emergência a Itália de uma crise, em grande parte provocada pelo palhaço do berluscas. Agora há mais um outro palhaço que os separa.

Em Itália, hoje também aconteceu uma coisa que me deu que pensar. Um tal de David Rossi, director de comunicação e porta-voz do Monte Paschi, o mais antigo banco italiano, suicidou-se, aparentemente motivado pelos escândalos de corrupção em que o banco está envolvido. Não sei bem da história do banco, o que sei é que diz que o senhor se lançou da janela do terceiro andar do seu escritório. Só isto já me dá que pensar, porque se algum dia eu tiver intenções de acabar com a vida, Deus ou outro me livre, não me iria mandar de um terceiro andar, a correr o risco de me partir todo e ficar deste lado. Saiu-lhe bem, podia não ter saído. Mas o que me espanta mesmo é a nota de suicídio que ele deixou para a mulher. Passo a citar: “Fiz uma grande asneira”… Ah? Mas acabou-se-lhe a tinta antes de se atirar aos pombos? É isto que um porta-voz e director de comunicação tem para dizer na hora da morte? É assim que o comunica? Com todo o respeito pelo acontecimento, parece-me uma infantilidade. É coisa de criança. É como um puto a dizer para a mãe: “fiz cocó”… Pois fez, atirou-se de um prédio. Mas se já sabia que era asneira porque raio é que se atirou na mesma?   

03/02/2013

Coisas que inbernam


Pelo que percebi, há uma panóplia de animais que hibernam mas a coisa não é linear como eu pensava. Eu imaginava que eram os ursos e as raposas que ficavam quietinhos a nanar nas suas tocas durante longos meses de inverno. Mas, claro está, a natureza é coisa complexa e tratou de fazer com que muitos mais animais hibernassem, em alturas diferentes e por distintas razões que ela e eles lá sabem.

Por exemplo, há animais de sangue quente e de sangue frio a hibernar. Há deles que hibernam por causa do frio, outros por causa da escassez de alimento e outros para se esconderem de predadores. Curioso que os ursos têm uma hibernação falsa, pois são letárgicos e levantam-se para papar. Eles há os que dormem meses a fio e outros que se levantam para comer uma refeição leve, beber um golinho de água, evacuar tudo e voltar para a toca. Ele há cobras, lagartos, rãs, ouriços, morcegos, texugos, andorinhas, ursos, gambás, tartarugas, doninhas, castores, ratos, cágados, joaninhas, esquilos, marmotas, arganazes, ouriços ou hamsters.

Entretanto, os pesquisadores descobriram que durante a hibernação os animais são muito menos propensos a morrer e que conseguem atingir uma idade mais avançada. Está claro, eu se ficar na cama o dia todo também tenho menos probabilidade de ser apanhado desprevenido pela frente de um autocarro. E também eu, se pudesse passar a vida em sonecas aterrado no sofá o dia inteiro não fazendo a ponta de um charuto e a gozar o facto de ser portanto abastado, conseguiria muito provavelmente atingir uma idade mais avançada e certamente uma pele mais bonita.

Observações científicas sugeriram também que animais hibernantes vivem mais tempo porque não precisam de competir por alimento ou andar à bulha com predadores durante o Inverno. Sim senhor, grande conclusão cientifica. O senso comum diz que eu, se resolvesse caminhar em hora de ponta naquela linha branca que divide as faixas, teria alguma probabilidade de me ver debaixo de um veículo. Ou se fosse obrigado a ir buscar alimento ao bairro do Aleixo todos os dias, teria evidentemente uma mais elevada probabilidade de voltar à toca com uma perfuração fatal no estômago.

Neste último caso, seria bom era colocar alguns animais com navalhas a hibernar por tempo indeterminado. Assim sem doer e devagarinho, mas definitivamente pô-los a nanar um soninho bom e relaxante. Para eles e consequentemente para mim e outros que tais, apesar de não haver muitos assim como eu.

06/10/2012

O ESTADO DAS COISAS II (apontamentos para a posteridade)

Por pontos:

01/ Neste Ano da Graça de 2012 a República faz 102 anos.

02/ Ao que parece, 2012 é também o último ano em que esse dia é celebrado com um feriado nacional.

03/ As cerimónias oficiais, que em 102 anos de história foram partilhadas com o povo em praça pública, foram agora celebradas em lugar fechado envolto num cordão policial.

04/ Este ano de 2012 calha de ser um ano em que o povo tem usado da sua voz e direitos democráticos para manifestar a sua insatisfação. O povo falou alto mas é sereno. No entanto os Srs. que organizaram as cerimónias levaram a coisa para longe do mesmo povo que representa a República, ao que parece motivados por medo de apanharem tau-tau.

05/ Deve-se também dizer que o representante máximo do estado, eleito pelo povo, resolveu ir de viagem à Eslováquia, numa visita de inquestionável relevância, não estando assim presente nas cerimónias oficiais. Não é de estranhar a sua posição perante a data, já que a ideia de acabar com a celebração simbólica através de feriado nacional partiu exactamente do PM.

06/ Já o representante máximo da República, na forma de seu Presidente em funções, esteve presente e hasteou a bandeira nacional. Mas ao contrário, exactamente de pernas para o ar. A meu ver, parece um gesto inusitada e estranhamente adequado por parte do nosso PR, que pela primaria vez se me revelou capaz de uma ironia sensível carregada de conceptualismo simbólico com consciência da realidade contemporânea e sagaz capacidade de bom humor crítico.

07/ Ontem foi o dia mundial do Animal e o primeiro canal de televisão pública passou tourada em directo e no horário nobre. (este ponto é apenas um apontamento, já que não está directamente relacionado com os anteriores acerca das cerimónias de celebração da República, mas também trata de animais e de outros absurdos a que estamos entregues).

Revolution will not be televised because there will be animals on horses on the screen...




15/09/2012

O ESTADO DAS COISAS

Diz-se que a esperança é a ultima a morrer. Agora sabe-se que a esperança morreu por estes dias. Deu na televisão antes de um jogo de futebol. Era já pouca, comedida, medida, porcionada e apenas utilizada por não haver alternativa, como uso de recurso. A esperança é o paliativo dos Portugueses.
Verdade seja dita que, por eterna e incontornável má fortuna, este povo dela e com ela sempre viveu. É uma espécie de valor idiossincrático, precioso e utilizado em permanência. Vidas em dependência permanente deste último recurso imaterial que, ao não alimentar, sossega o espírito. É curiosamente um tipo de esperança na qual não é possível acreditar verdadeiramente, mas tê-la é bem melhor do que não ter. É coisa que apazigua a dor mas que não cura a maleita. Desde sempre, ou pelo menos desde que me lembro e do que me contam, me pareceu uma espécie rara de esperança. Uma esperança sem esperança dentro, como uma matrioska ao contrário. A nossa é ela própria hipotecada pelas condições fatídicas de um destino, que não é aceite, mas com o qual se vai convivendo e andando. É o tem de ser, é o podia estar melhor, é o cá estamos, é o vai-se andando, é assim a vida... É o caraças! Não andamos aqui todos enroladinhos na pele como os salpicões. Os salpicões não possuem direitos e qualidades como o livre arbítrio, a vontade e a procura, para além da esperança.
Acho que é por esta coisa triste da esperança que povo português aguenta muita merda. A paciência incompreensível dos Portugueses para com quem lhes dirige os destinos dever-se-á quiça a esta esperança falsa, que é plantada como semente que cresce dentro de cada um, mediante o contexto generalizadamente desfavorável à nutrição de felicidade, favorável ao crescimento da crença vã num futuro melhor. Esta crença é passada de geração em geração sem que o paradigma se altere genuinamente. Aqui e ali há fogachos de oportunidades, consequentemente destruídas, que dão lugar a esta esperança. 
Que bom seria que os portugueses não precisassem da esperança como forma permanente de condição de vida. Que bom seria dar uma coça no destino, trocar as voltas à coisa, dar um xuto na inevitabilidade, mandar à fava as dependências e viver de vez a puta da vida. Como fazem, de resto, aqueles que são felizes.
A esperança morreu mesmo por estes dias. Morreu por asfixia, por atropelamento, por susto, por envenenamento, por ferimento de bala. Foderam a esperança do povo e não lhe deram nada em troca. Agora ficou um vazio. Um insustentável e imenso vazio que o povo sente no peito e no prato. Se até agora lhe era possível disfarçar o vazio no peito e ir andando, agora torna-se-lhe impossível esconder tanto prato vazio.
Assim o povo não vai andando. Assim o povo tem fome. Assim o povo tem pouco a perder. Assim o povo não vai. Assim o povo racha...


O Português,
Francisco Salgado Ré


11/09/2012

animais a cavalo

Há coisas sobre as quais eu sei pouco e sobre as mesmas pouco quero saber. Entre elas está a coisa da festa brava. Se por acaso calha de apanhar a dar na televisão sou rápido a mudar de canal e a procurar outro programa com bichos menos ensanguentados.
Admito que sou ateu em relação a esta matéria. Primeiro porque não acredito naquilo. Em vários níveis de descrença. Um dos quais passa por achar que ninguém no seu prefeito juízo faria tal cena. Só pode ser montagem. Outro é de que não vou à missa deles. Também acho as roupinhas larilas. Quem enfrenta um touro não devia ter um ar tão ridículo. Não percebo como se pode qualificar de festa, mas que é brava lá isso é. É brava num sentido pagão e bolorento. Não me admirava nada, pelo tipo de discurso e argumentário, que os senhores da festa brava achem que o sol anda todos os dias às voltinhas da terra, que existem bruxas para queimar, que Newton é uma marca de detergente, que os preservativos são giros é para fazer balões de água e que as mulheres não engravidam se se der três voltas à cama no sentido dos ponteiros do relógio depois do acto, consentido ou não.
No entanto a festa brava é consentida, mas se calhar não por vontade do toiro, mas sim dos outros animais a cavalo.

(hoje, o senhor deste vídeo investiu com o seu cavalo, por duas vezes, sobre uns manifestantes em frente de câmaras de reportagem e de um impávido corpo polícial... Se calhar andei distraído e não me apercebi que mudei de país e de época, mas se assim é acho que se deveria considerar a possibilidade de aplicar uma lapidação pública neste senhor)

http://www.youtube.com/watch?v=So1Lwin8jcY&feature=youtube_gdata_player

29/03/2012

You have 5 seconds to tell me the name of the 2012 Pritzker prized architect

You have Pritzkers and you have... Pretzels. You have Jewish Pretzel and you have Chinese Pritzker. No obvious relation here, but then again, this certainly won´t be an obvious line of thought.
Pretzel is Jewish food, and Pritzker is a prized architect. The last pritzker on the table is Chinese and the last pretzel on the table is still Jewish. No relation there either... But, sometimes, Jewish related business is often political, and, in a wild assumption, architecture is political too. Or perhaps, for the sake of political correctness argument: architecture is often politicized...
Another big difference is that Pretzels are largely known around the globe. The last Chinese awarded with the Pritzker prize is not. Every architect I know, and I know allot of them, didn’t had a clue who the hell is Wang Shu. This can mean one of two things: or this guy was dough from a whole by political reasons, or it tells something about the poor quality of my friends and their lack of general cultural knowledge. Probably is the second, a category in wish I include myself.
But this is doubtful and raises questions, because all my friends, unfortunately, are architects... This also tells allot about me. What remains a bite confusing is that every architect is usually cultured enough to, at least, had heard the name of any architect that has the slight relevance for being considered "Pritzerkable". This happens because architects, has everyone knows, don´t have a proper life beyond the walls of the discipline in which they bare all of the time life has given to them. Architects only talk about architecture or anything that is related to it. I still don´t know if this is kind of a religion. I believe that architecture possesses something mystical, but if it is an actual religion, then a relation with Jewish Pretzels can finally be made. If in fact architecture is a religion for architects, beware because they could be dangerous fundamentalists. And since they (I’m writing in the third person trying unsuccessfully to distance myself from that clan, a bit because of self pity and shame) only talk about it, it is very strange that the name Wang Shu could mean Chinese food for them. Ops, another possible Pritzker-Pretzel relation...
I don´t mean to take any credit out of Wang Shu, primarily because I can´t, in intellectual honesty, take credit from someone of whom I don´t know more than what google allowed me to know... But still this thing seems very blurry to me. 
Well, now I’m hungry... I thing Im going to eat a Pritzker with noodles and fried dog.
Uí tóu jiàn people (I googletranslated for “see you later”…)

24/03/2012

gaiola

As memórias são como os pássaros. Chegam batidas ao vento. Que batem asas e vão. Que adormecem entre nuvens. Como em gaiolas abertas. Que cantam ao ouvido. E poisam no silêncio. Por vezes dá pena. Algumas vão sem voltar.
Mas há gaiolas com tempo dentro, lá guardado para recordar.

24/10/2011

log entry: show some respect

I hate when programs don´t answer... It's lack of respect.

Odeio quando os programas não respondem... É falta de respeito.

25/09/2011

log entry: estetoscópios

Imaginem-me sentado na soleira de uma montra de uma loja fora do horário de expediente, quando surge um grupo de rapazolas novos que em notório entusiasmo comentam os artigos em expressões rotundas como, olha aquele que espectacular, aquele é lindo pá!, eu comprei o quinto a contar da esquerda, tás a ver? E eu, curioso, porque não tinha reparado o que vendia a loja, olhei para trás, sobre o ombro e, pasme-se: estetoscópios!

Comprei o quinto da esquerda? Aquele é lindo e espectacular pá? Mas não são carros. Não são telemóveis. Não são televisões. O que fazem três moçoilos novos, de olhos a brilhar, a cavacar sobre estetoscópios às duas da madrugada?

O meu leque de amigos - bem escasso diga-se, pois parece-se mais um abanador de brincar que um leque valenciano – é bastante eclético e nunca, mas nunca, assisti a uma conversa do género. E nem quero. Caraças, os meus amigos às duas da manhã são muito machos! Mas aqueles não estavam a brincar, estavam mesmo vidrados com a espectacularidade do artigo. Será que me enganei na profissão e ainda vou a tempo de me dedicar â venda grossista de estetoscópios. Ainda por cima a palavra não é daquelas que caem que nem ginjas numa conversa entre amigos numa noite de sábado. Como é, por exemplo, a palavra ginjas. Claramente útil no contexto: eh pá, olha ali aquela, marchava que nem ginjas, seguido de grunhidos machos elevados pelo álcool e testosterona. A palavra estetoscópio não desperta o mínimo entusiasmo. E se for dita em voz alta, lenta e silabicamente, ainda parece pior. Tentemos: este-Tó-é-escópio, esteta-o-escópio, estreita-ó-copo, és-tó-tó-és-Cópido…

A este ponto já eu tinha ganho a noite com a conversa, que não era preciso aparecer um grupo de dois casalinhos, que se assoberbam também eles pela loja. A título de curiosidade e de maldade vil, uma das raparigas era uma espécie de morsa com sapatinho raso, azul que não era verde tipo verde que não é azul e um casaco a fazer pendant, os rapazes montanheiros e a outra amiga era simplesmente, vá, a modos que, redonda como um balão de hélio sem hélio e cheio de leitões da Bairrada. E eles a dar-lhe: olha aqueles às cores, olha que ainda vou comprar um e tal por ai adiante, culminando na ideia espectacular de: vamos fazer uma vaquinha para comprar um e oferecer a alguém que não percebi bem, mas desconfio não estar ligado ao ramo da saúde. Saúde essa, que me pareceu faltar àquela gente, no capítulo mental. Estou perdido, queres ver que o estetoscópio agora é moda de trazer ao pescoço quando se vai jantar fora? Estou a ver a malta nos restaurantes, ao chegar o rosbife à mesa, a sacar do estetoscópio e, sobre o molho, analisar fatia a fatia, na tentativa de tirar a pulsação às fatias do bicho, pedindo ao rosbife para respirar fundo e dizer trinta e três. Dai a fazer reanimação boca-a-bife é um passo pequeno. Esta gente precisa é que lhes faça uma manobra de Heimlich ao cérebro.

Como esclarecimento, devo referir que a loja, apesar de dedicar a sua montra a estetoscópios, vendia uma parafernália de artigos médicos e de enfermagem. O que faz imaginar as conversas quando montarem a montra com arrastadeiras. Três velhinhos de bengalinha: olhem aquela, que bonita ali a reluzir, eu comprei a topo de gama ou eu estou a juntar da reforma para uma com cromado especial. A montra de Natal, com lacinhos, bolinhas, luzinhas e andarilhos e a da Páscoa com coelhinhos, ovinhos, amêndoas e condutores urinários.


log entry: de onde vêm o dinheiro?

As pessoas têm uma relação estranha com o dinheiro. Tudo gira à volta do pilim. Ele é preciso para pôr na mesa a comidinha, para comprar roupinha pró menino, para pagar a prestação da casa e do carro e da televisão e da assinatura da tv cabo e o lar dos avós. A malta recebe ao fim do mês, o tal salário, que é o resultado do trabalho traduzido num número no extracto em papel, mas não sabem de onde vem. Sabem que, se quiserem, podem ir ao banco levantar tudo, e que as notas que recolhem foram impressas e agrupadas em molhinhos com elástico por ordem de valor, como se vê nas malas dos bandidos nos filmes.

Mas de onde vem o guito, a cheta, a massa, o chavo, o caroço, os cobres, a pataca, o vintém, o tostão, a pasta, o pilim, o cacau, o papel, o carcanhol, o arame? Quem inventou a coisa? Eu percebo que é mais fácil do que andar com os bolsos cheios de batatas para trocar por tabaco na esquina. Até porque ao preço a que o maço está, tinham de andar com troleis de batata e sacos delas a tiracol.

Alguém um dia disse que a batata vale um tanto em notas, portanto quer dizer que o valor das coisas encontra o seu significado no dinheiro. Mas o dinheiro em si não vale nada. Esse é uma invenção de uns tipos que atribuem o valor ao dinheiro, até porque não existe tanto dinheiro físico como o que é transaccionado. É uma ideia estranha, se pensarmos nisto como um bordel, que é onde supostamente existe maior manancial de dinheiro físico que é transaccionado. Uma Mádáme dona de um estabelecimento, diz que tem para oferta dezassete meninas com mais de dezoito anos e com imenso valor, mas na realidade só tem três e uma delas já foi outrora um homem. Ao tipo que lhe tenha saído na rifa ficar com esta última, fica-lhe um amargo de boca na boca, uma insatisfação e um desejo de ter podido ficar com uma das outras dezasseis. Mas que, afinal de contas, não existem. Desculpem, eu sei, não foi bom exemplo.

Outra coisa engraçada, é que as pessoas querem dinheiro para poder comprar coisas, sem perceber que as coisas é que são o valor e não o intermediário que é a nota. Portanto não dá para comprar dinheiro. Isto para explicar que quem tem muito dinheiro não é rico. Tem apenas muito dinheiro.

Eu cá acredito, de uma forma que não consigo explicar, que a origem do dinheiro deve ter algo que ver com a máfia. Senão vejamos: em todos os países onde a máfia é coisa tradicional como o folclore, como a Itália ou China, se come muita massa e massinha. Posto isto, conclui-se que a massa, ou pasta, é mesmo uma invenção italiana, essa sim de indubitável valor.


27/05/2011

LOG ENTRY: ESCUTEIROS

Entre muitas coisas esta é uma delas.

Não me interpretem mal, não tenho nada contra. Pessoalmente nada. Nunca me atiraram pedras, bíblias, guitarras ou ofensas verbais. Nada, mas mesmo nada, que se lhes pegue em termos morais. Perfeitinhos que até chateia. Tenho mesmo de admitir, a honestidade intelectual a tal me obriga, que lhes agradeço a mediana sapiência que possuo em fazer nós esquisitos, que não dão jeito nenhum no dia-a-dia, mas que servem para impressionar quando raramente vem a propósito.

Portanto, após ponderada e meditativa introspecção, posso apenas concluir que o que move estas palavras poderá ser tão-somente pura maldade. Essa que talvez se esconda no meu ser imperfeito. É possível, não sou escuteiro.

Se Deus castiga como dizem, e se não tiver mais nada que fazer, então irá certamente castigar-me por este texto. Acho que esta borbulha que me apareceu na testa já é obra Dele. Mas arrisco, destemido, a continuar.

Não compreendo e já tentei. Não muito porque dá mais gozo este lado sujo do escárnio e maldizer. Lá está, deve ser a maldade. E por falar em maldade, que maldade terão feito eles para serem sujeitos à coisa má de usarem aquelas meias e calções? Nem ao diabo lembra. Se o diabo os tivesse de castigar concerteza não teria a divina epifania de crueldade tão perfeitamente hedionda.

Certa vez atravessava eu o Adriático, tinha dormido debaixo duma mesa do restaurante do ferry durante uma noite de tempestade, acordava mal amanhado para a manhã e dirigia-me ao bar exterior com desejos de um pequeno-almoço descansado e embalado pela brisa. Azar meu que lá se encontrava um grupo de incontáveis fiéis, que não tinham dormido e mantinham uns invejáveis sorrisos frescos no rosto a espelhar insuspeita saúde matinal. Enquanto no resto do barco todo o pessoal já tinha virado o jantar. Nesse momento aos meus olhos de sono eles pareciam encarnações do demónio. Convenhamos que, ajudem-me agora nisto, não tinham dormido para rezar e cantar, empunhando guitarras desafinadas e gargantas roucas, um reportório infindável como o infinito do seu Deus, de cançoneteria religiosa musicalmente bacoca. Contudo feliz. Melodias tão felizes, tão sorridentemente infantis, tão esclarecidamente inocentes, tão redondamente joviais que me deixaram, ali como em todas as vezes antes, num estado de depressão latente. Cantavam em inglês, espanhol e maioritariamente em italiano. Uma berraria sem paralelo.

Não percebo. A sério. Os putos imberbes ainda vá. Ainda não sabem, ainda não têm de se preocupar com impressionar as miúdas. Nem as miúdas os miúdos. Acredito que para esses ainda há a esperança de se deixarem de tretas e acordarem a tempo durante a adolescência para tudo o que é fútil e tentador.

Ou então estou muito enganado e, se me quiserem convencer, digam-me que é tudo uma fantochada para mascarar uma boa oportunidade de conhecer miúdas, que é uma boa desculpa para dar aos pais enquanto se arranja maneira de perder os três, que nas tendas elas são umas tolas impúdicas, que no mato é vê-los a trepar às árvores, que aquilo de se perderem durante dois dias na floresta é pra poderem fumar umas ganzas descansados e que aqueles laços dão jeito é na cama e em práticas sadomasoquistas que só escuteiro sabe. O resto da fatiota só pode ser para disfarçar.

Realmente o que me assusta mesmo são os graúdos, num leque diverso e incompreensível de idades. Fulanos trintões, e por aí fora, numa macacada destas. Mas a malta não tem mais que fazer que andar ai a cantarolar e a fazer nós, com uma farda que é no mínimo totó? Eu acho que a sociedade perdoa isto por uma questão de exposição visual prolongada. Habituação resultando em negligência. Admito que de quando em quando vê-se um e é giro. Para mim é sempre giro ver um badocha de calções safari, meias de lã pelo joelho, botas de montanha, cajado numa mão, bíblia na outra, camisa pastel de nata, uma corda ao pescoço e às tantas um chapéu ao estilo da guarda montada canadiana. Na cidade ou no campo. Faça chuva ou faça sol.

Tenham juízo. Acham em consciência que ainda têm idade para estas merdas? Da minha parte, eu que não tenho idade pra estas merdas mas sim pra outras bem piores, não tenho é paciência para vos aturar naquilo que poderia muito bem ser uma belíssima manhã no Adriático.

Aquelas coisas do voluntarismo, do altruísmo e de atravessar com velhinhas nas passadeiras até se percebe. Mas da farda ninguém me convence. Ora metam um par deles, assim vestidos, a distribuir panfletos e sorrisos no meio da Cova da Moura ou do bairro do Cerco a ver o que lhes acontece. Eu cá acho que, no mínimo, aquilo lhes retira credibilidade. E vendo a moda do ultimo século, também me parece que alguém sensato, ou com menos de cento e quarenta e sete anos, aprecie tal indumentária. Quem achar que aquilo está na moda que atire a primeira pedra. Bem, eu cá vou atirar na mesma só pela diversão.

(pronto, pronto, atiro uma das pequeninas. Deus me livre de os ter todos à perna de calções e cajado na mão).

20/04/2011

ALÔ DEUS

Alô? Deus? És tu?
Estou a responder aos teus SMS...
Mandaste quatro iguais pá!
Dizias lá para me arrepender, mas não tenho feito asneiras e até tenho andado a comer bem.
Posso-te tratar por Tu não posso? Ninguém melhor que Tu para estar Tu cá Tu lá.
Também dizias para me converter. Era para jpg? Não? Era para me converter à Apple? É que eu já corro macOS no iphone e, para já, não me posso desconverter do windows no pc assim do pé para a mão. Só se me deres uma das tuas, Deus... Se calhar a conversão vai ter de ficar para mais tarde tá?

Aguardo um sinal. Pode ser um toque.

Até lá, Abraço forte à tua medida.

02/03/2011

VÁ VER SE EU LÁ ESTOU

A propósito da convocatória para uma manifestação geral de desagrado, que recebi hoje no meu email, como coisa que se espalha de forma digital que nem vírus.
Camaradas, não me deserdem nem me atirem pedras na rua, que este comentário não é uma reacção às motivações do tal repto, mas sim à sua forma e conteúdo. Ora, não me interpretam mal, fica para outro dia, hoje não, não vou comentar aqui as circunstâncias politicas subjacentes, nem as dificuldades sociais e as injustiças do povo. Mas tenho de fazer um alerta ao autor do texto, antes que o email seja reencaminhado um milhão de vezes e depois já não seja possível retratar a coisa.
Meus amigos, camaradas e tal, tenham lá calma com o entusiasmo das Primaveras Árabes. Acho que a CNN anda a toldar o juízo tão agradavelmente moderado deste país ameno.
A minha apreciação tem duas vertentes, uma é arquitectónica e a outra é de amante de palavreado bem escrito em respeito a Camões e a António Aleixo. Portanto:


Caro revolucionário desconhecido e autor do texto,

Antes de mais deixe-me dizer que simpatizo com a causa e estou do lado legitimo dos que se querem manifestar pelo periclitante estado das coisas. Mas a ver se faz o repto com correcção gramatical, realismo e honestidade dimensional.

1 / Aqui entre nós, e vou dizer baixinho para mais ninguém me ouvir a corrigi-lo, chulice não se escreve com dois "esses", que regabofe, pagode e outras expressões similares não são adequadas a um discurso sério. Que num discurso sério não deveriam existir referências a digestivos, patifes, biltres, papalvos, amantes ou os filhos das mesmas. É coisa que tira credibilidade.
Se o destinatário é o povo, não o deve minimizar ao utilizar linguagem vernácula por pensar que é isso apenas que ele percebe, mas também não será de bom tom utilizar termos de recurso a dicionário, que impliquem uma sobre-elevação do autor, tais como e passo a citar: opíparos, apaniguados ou locupletar.

2 / Não me parece bem, claro que é a minha opinião pessoal, que uma manifestação tenha como mote a "demissão de toda a classe politica". Assim de repente, num relance vago, isto apenas sugere que pensa entregar o país aos espanhóis no final da manifestação. Espero que saiba que, por muito que não goste dela, é necessária uma "classe política" para governar isto em condições, independentemente da ideologia ou cor. Aliás, acho que foi para isso que a sua geração se manifestou aqui há uns anos atrás, por altura de um 25 de Abril. Acho que o objectivo era mesmo termos um sistema democrático. Saiba que protestar só porque sim, para purgar amarguras, para dar uns gritos, sem um bom objectivo ou por uma causa absurda, normalmente não dá bons resultados.

3 / Quando decide um lugar para uma "manif", por favor seja específico, porque Avenidas da Liberdade é o que não falta pelo país fora. Também penso que seria de bom tom marcar uma hora, senão a malta tem desculpa para não aparecer ou para chegar atrasado. Acho que de manhãzinha cedo não dá jeito. Deveria ser mais tarde para possibilitar tempo de viagem às centenas de excursões de autocarros cheios de manifestantes a marchar para, presumo, Lisboa. Aconselho uma hora assim mais logo a seguir ao almoço, para o pessoal já estar animado e com o sangue quente.

4 / Outra coisinha, agora acerca das megalomanias: A "manif" convoca 1 milhão de portugueses para a Av. da Liberdade. Presumindo que se refere a Lisboa, que é capital e tal, fique a saber que, assim por alto, a avenida tem 115.000 m2. Sabendo também que cabem duas pessoas por metro quadrado, contas assim já pró apertadinhas sem dar espaço para marchar, nem para grandes cartazes ou bandeiras, é facil concluir que vai ficar desiludido quando perceber que as expectativas são um bocado irrealistas.
Eu faço as contas, explico-lhe qual é a sua melhor hipótese para depois não ficar triste:
115.000m2 x 2 pessoas por m2 = 230.000 portugueses na Avenida. E olhe que até nem é mau.
Não o quero desanimar, mas somos um país pequeno e 1 milhão de pessoas representa 10% da população. Ora pense lá se 10% de todos os portugueses cabem na Av. da Liberdade? Compare com um centro comercial dos grandes ou com um estádio por exemplo, que é onde se costumam ver mais portugueses juntos.

Aqui que ninguém nos ouve, tente não levar irrealismo utópico mal informado, até para as manifestações que o tentam combater.


Boa sorte para a dita,
Com os melhores cumprimentos,

Francisco Ré

(uma ideia, se calhar o melhor é levar a coisa para o Magreb. Assim podia ter mais apoiantes motivados e espaço para marchar, que por lá, por estes dias, espaço e manifestantes é coisa que não falta. Assim até ficava mais simpático por cá para quem quiser trabalhar a sério nesse dia.
Pense nisso. Até combino consigo e com os outros que queira trazer, às portas do Magreb, esquina da esquerda vindo de quem entra, no dia 12 de Março, pelas 15h, com uma cervejinha na mão e uma bandeira enrolada em volta da testa. Vá ver se eu lá estou).

30/10/2010

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(I've got this error message on my screen. Really)

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Infelizmente ocorreu um erro.

Uma equipe de macacos especialistas altamente treinados foi designada para cuidar do problema.

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31/08/2010

log entry: wade in the water

Wade in the water
Wade in the water children
Wade in the water
God's gonna trouble the water

Who's that yonder dressed in red
Wade in the water
Must be the children that Moses led
God's gonna trouble the water

Oh wade in the water
Wade in the water children
Wade in the water
God's gonna trouble the water

Who's that yonder dressed in white
Wade in the water
Must be the children of the Israelite
Oh God's gonna trouble the water

Wade in the water
Wade in the water children
Wade in the water
God's gonna trouble the water

Who's that yonder dressed in blue
Wade in the water
Must be the children that's coming through
God's gonna trouble the water yeah

Wade in the water
Wade in the water children
Wade in the water
God's gonna trouble the water

If you don't believe I've been redeemed
Wade in the water
Just see the Holy Ghost looking for me
God's gonna trouble the water

Wade in the water
Wade in the water children
Wade in the water
God's gonna trouble the water

15/07/2010

log entry: toys

As palavras são brinquedos perigosos...

Words are dangerous toys...

12/07/2010

log entry: special

ah e tal, "porque uma mulher quer sentir-se especial".
pois é, mas para isso é preciso merecer...

ah, "because a woman wants to feel that is special".
right, but for that you need to deserve it...

06/07/2010

log entry: ...

Complicated Universal Cum - I can hardly wait from Fake Diamond Records on Vimeo.

22/06/2010

log entry: doçaria conventual

Sou um rapaz moderno com queda para a doçaria conventual...

I´m a modern guy with a crush for conventual confectionery...

16/05/2010

log entry: roupa usada/used clothes

hoje uso roupa usada da semana passada,
vou ver se pra semana não uso a da que passou...

today I'm using last week used clothes,
I'll try not to use next week the past week used ones...

13/04/2010

log entry: Teoria da Relatividade [a partir do Porto]

Dizem que há apenas meia dúzia de iluminados no mundo que conseguem perceber totalmente a Teoria da Relatividade. Sempre me intrigou porque raio é que esses rapazes - como o Stephen Hawking que é um bacano, mas que fala esquisito - são assim tão à frente para a perceber, mas não conseguem ser claros a explicar à malta? Tipo fazer uma versão de bolso, um resumo, uma coisa assim mais ligeirinha, que se podia chamar talvez “olha, eu sou assim muito esperto, percebi a Teoria da Relatividade e tenho a capacidade de fazer o mais fácil, que é explicar-te isto como se fossem contas de feijões”. Não o fazem e eu sempre pensei que era por puro egoísmo e para poder dizer aos amigos “Ah e tal isto é muito difícil que só eu, o Estevão, o Zé, o Machado, o Zé Machado e mais dois ou três é que percebemos”.

Pois tenho a dizer-vos, não é preciso ser-se muito esperto para perceber a Teoria da Relatividade. É sim preciso ter-se sorte e eu tive. Acordei há pouco a meio da noite em sobressalto e a perceber a TdR tim-tim por tim-tim (vou passar a dirigir-me a ela assim, porque agora que a percebo tenho o direito de a tratar como quiser. Aqui trato-a por TdR - uma abreviatura de inspiração automóvel - e na privacidade trato-a por Manuela – haverá coisinha mais relativa que uma mulher?). Dizia eu que tive sorte. É que ele há quem ande anos a estudar e a pensar nisto. A mim bastou-me acordar a meio da noite. Também sou gajo de ter sorte a arranjar estacionamento à porta, mas isso é mesmo na base da lotaria, porque não há ciência relacionada ou alternativa de andar a estudar durante anos que ajude. Já em relação a peixinhos vermelhos não tenho sorte nenhuma. Morrem todos.

Adiante, vou então explicar-vos a Manuela - desculpem, a TdR - de maneira a que vocês percebam. Ora, eu agora estou no Porto e as distâncias a diferentes pontos são relativas e têm pouco que ver com a quilometragem anunciada nas placas. Por exemplo, Mesão Frio. É longe… Vossemecês: Ah e tal não é assim tão longe… Eu: errado. É longe! Mesão Frio é bonito? É. Mesão Frio tem património? Tem. Mesão Frio tem bons petiscos? Até pode ter! Mesão Frio é já ali? Não! É longe com’ó diabo. Para o que é, é longe. Ah e tal mas há sítios mais longe. Pois há, mas volto a dizer que este para o que é, é longe. Já Lisboa para o que é, sendo capital e assim, é perto e fica muito mais longe. Estão a perceber a relatividade?

Vários exemplos, que isto das teorias vai lá melhor assim, a partir do Porto: Santarém é longe. Ovar é longe. Lisboa é perto. Coimbra assim-assim. Viana do Castelo é perto. Vila do Conde é longe. Viseu é longe com’ó caraças. Guimarães perto. Braga longe. Mértola perto e Grândola mais ou menos. Tenho a dizer-vos que vou fazer a conversão disto para 1x2 e tentar a sorte no totobola desta semana.

Portanto, caros meia dúzia de rapazolas que andaram a suar as estopinhas para percebê-la, eu vos digo: Toma lá e embrulha! (estou a tentar fazer um manguito enquanto escrevo e é coisa que não dá muito jeito). Claro que, contextualizando, isto vem de um gajo que acha que há coisas com pouca lógica, mas que fazem muito sentido. Como certas paixões. Ou o contrário, coisas que essencialmente têm alguma lógica, mas que não têm sentido nenhum. Nem sabor. Como certos pratos vegetarianos. Claro que também acho que há coisas que ao mesmo tempo não tem lógica nem fazem sentido nenhum. Como os esquimós, que a seu favor têm apenas o facto de serem giros, pitorescos e teimosos, já que não lembra ao diabo terem deliberadamente decidido morar onde moram.

Estou a escrever isto enquanto não me dá o sono. Por isso imagino que as distâncias pareçam um pouco mais turvas a estas horas. Aviso também que estou completamente alérgico e cheio de pingo, estado que me poderá ter ajudado nesta epifania, mas que não é totalmente de fiar. Acho que vou tomar um anti-histamínico. Queria evitar porque só tenho uns que dão uma porrada de sono. Os médicos dizem que não e tal que são porreiros estes e não dão sonolência nenhuma. Talvez aos outros. A mim dão, mas vou tomar na mesma porque quando me bater o sono espero já estar a dormir.


Francisco Salgado Ré, autor do texto e semi-distinto capitão deste blogue, escreve regularmente neste espaço e, apesar de já ter outras ocupaçoes e paixões que o enchem de trabalho, se um ou outro jornal lhe quiserem oferecer uma coluna remunerada nas suas páginas ele agradece e vai pensar nisso.


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